Fernanda Letícia da Silva recebeu Insígnia da Ordem do Mérito Naval.

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Devido aos relevantes serviços prestados à Marinha do Brasil, Fernanda Letícia da Silva, natural de Resende, cidade do sul fluminense, 37 anos, recebeu, da Marinha do Brasil, a Insígnia da Ordem do Mérito Naval e, nesta quinta (21/01), foi homenageada na Praticagem de São Paulo. Ela recebeu a Ordem Grau de Cavaleiro do Quadro Suplementar.

Fernanda Letícia acredita ter sido indicada por conta do conjunto da obra desde 2006, quando foi condecorada com a Medalha Mérito Tamandaré: “Incluo também a adoção e manutenção de sala de aula do CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), onde eu me  formei, quando ainda era 2º Oficial de Náutica, e a criação do Concurso Literário anual para Alunos das duas EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante) e Aspirantes da Escola Naval , além de outras atividades do EPM (Ensino Profissional Marítimo), que é uma das atribuições da DPC (Diretoria de Portos e Costas)”.

Desde 2009 atuando na Praticagem de São Paulo, para ela o desafio inicial foi o de superar o preconceito da idade, por ser na época muito jovem, mas há muitos outros: “O nosso trabalho é sempre assessorar os comandantes da melhor maneira possível nas manobras em função das várias características do navio, condições atmosféricas e oceanográficas e movimentação portuária do momento. Não há uma manobra igual à outra e o desafio constante é sempre salvaguardar a vida humana no mar, preservar a segurança da navegação e prevenir a poluição hídrica”.

O desejo de ser prática surgiu durante os embarques em navios mercantes, ainda como aluna: “O que mais me atraía eram as manobras. Fascinava-me ver como os comandantes assessorados pelos práticos conseguiam fazer com que os navios atendessem às ordens de máquina e leme para fundeios, atracações e desatracações entre outras, usando rebocadores ou não, usando as forças da natureza como vento, maré e corrente. Então, ainda como aluna, eu sabia que queria ser ou comandante ou prático. Entre os portos que eu mais frequentei estava o de Santos. Sempre que eu tive a oportunidade de acompanhar a manobra do prático eu ficava com aquela curiosidade de saber como ele consegue dominar um navio", relembra.

Fernanda Letícia foi a primeira mulher na Praticagem de São Paulo e diz que não sente medo mesmo nos dias de mais dificuldades, apenas a preocupação constante de sempre assessorar os comandantes da melhor maneira possível.

 Ela também atua no Porto de São Sebastião e revela as diferenças nas manobras: “Em Santos o canal navegável é sinuoso, a distância entre as margens relativamente curta, os pontos de atracação quase sempre estreitos e a variedade de tipos de navios é grande. Já em São Sebastião, a grande maioria das manobras é com grandes petroleiros e as características principais são a forte correnteza e os maiores calados, a parte submersa dos navios. O VLCCs (Very Large Crude Carrier) em São Sebastião e os grandes conteineiros em Santos são os maiores navios que manobramos. Alguns tem mais de 340 metros de comprimento.”

Felizmente, diz que nunca sentiu qualquer tipo de preconceito por ser mulher em um setor dominado pelos homens: “Nunca passei por qualquer problema, nem como Oficial de Náutica nem como Prático. No início alguns comandantes de navios estrangeiros estranhavam quando eu subia a bordo, mas diz que não por ser mulher, mas sim por ser muito nova.  “Mas quando eu contava meu histórico como Oficial de Náutica, chegando a imediatar navio antes de entrar para a Praticagem eles sentiam-se seguros”.

Com uma filha pequena, conta que o mar sempre entrou nas brincadeiras entre elas e que consegue conciliar a vida pessoal com a profissional sem problemas: “Trabalhei normalmente até o início do meu sétimo mês de gestação. Então minha filha já se acostumou ao balanço do mar desde aquela época. Adora banheira, praia e piscina. E já visitou o CIAGA uma vez, meses atrás, quando plantou um ipê amarelo próximo à sala de aula adotada por mim. Se ela optar por seguir minha carreira, já estará bem encaminhada”, comenta sorrindo.

Apaixonada pela profissão, diz que como prática, e mesmo anteriormente como Oficial da Marinha Mercante, encontrou retornos muito positivos: “Esses trabalhos sempre me colocaram em contato com pessoas de várias nacionalidades e o aprendizado oriundo desse contato e da troca de experiências foram engrandecedores culturalmente e me concederam visão global sobre povos, costumes e culturas”.

 

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