Marinha do Brasil assina convênio com a Confederação Brasileira de Vela

17:20

A Marinha do Brasil e a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) celebraram, no dia 26 de junho, a assinatura de convênio, na sede do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (CGCFN), no Rio de Janeiro (RJ). O acordo visa viabilizar ações e projetos que auxiliem na preparação dos atletas brasileiros da modalidade de Vela, para as principais competições do calendário oficial da Federação Internacional de Vela, além das competições militares.


Assinatura do Convênio
Estiveram presentes à cerimônia, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais; o Presidente da Confederação Brasileira de Vela, Marco Aurélio de Sá Ribeiro; os velejadores olímpicos Torben Grael e Isabel Swan; entre outras autoridades civis e militares.
De acordo com Marco Aurélio, essa assinatura sacramenta uma relação de cooperação que sempre existiu entre a Marinha do Brasil e a Confederação Brasileira de Vela, que agora ganha um caráter estratégico. “Vamos trabalhar cada vez mais juntos, não só para fazer crescer nosso esporte, mas também para fomentar a cultura marítima brasileira, divulgar o trabalho fantástico que a Marinha do Brasil faz na proteção das nossas águas e na formação humana e profissional dos nossos atletas”.
O Presidente da Comissão de Desportos da Marinha do Brasil, Contra-Almirante, Fuzileiro Naval, Pedro Luiz Gueiros Taulois, destacou que, após os resultados positivos nos Jogos Olímpicos Rio 2016, este é mais um passo importante na preparação para as próximas grandes competições que estão por vir. “Com este convênio, ambas as instituições estão empenhando seus esforços para otimizar os recursos financeiros e de pessoal para atingir as metas e os objetivos desafiadores que nos serão impostos e, como os 7º Jogos Mundiais Militares, na China, em 2019, e os Jogos Olímpicos em Tóquio, em 2020.

Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (ao centro) e atletas da Vela da Marinha do Brasil
Fonte https://www.marinha.mil.br/noticias/

Paisagens litorâneas são fonte de inspiração para exposição na USP

20:17

“Fruto de anos de dedicação, o objetivo da exposição é provocar interesse, inquietação e um prazer visual aos visitantes através da arte”, comenta o professor. Na mostra, obras modernas misturam-se com telas mais antigas do docente, responsável por contribuir com grande parte do acervo exposto. Além disso, reúnem-se trabalhos de artistas e alunos que, segundo Dias Filho, possuem um fascínio pela paisagem litorânea.
A exposição também é um palco de homenagens. Em memória de Esmeralda Navarro — ex-professora de Geraldo -, o professor disponibilizou um espaço no centro da mostra com obras da artista que, segundo ele, simboliza um altar em agradecimento a essa inspiradora de sua obra.

A tinta cheira água salgada

Dividida em dois ambientes, o primeiro dos espaços, a sala de exposição multiuso da biblioteca, abriga trabalhos de docentes, ex-docentes e artistas relacionados à Universidade, como Beralda Altenfelder e Evandro Carlos Jardim. São diversas telas, papéis e madeiras pincelados com muita tinta azul-esverdeada. Para além do mar, retratam embarcações, praias, serras e costas, englobando, assim, todo o universo praiano através da arte.
Afastando-se dos artistas já consolidados, a exposição cria oportunidade para alunos da disciplina Práticas de Pintura I da ECA exibirem seus trabalhos, construídos ao longo do semestre. Há nove anos, estudantes dessa disciplina, beneficiados pela parceria entre o Departamento de Artes Plásticas e o Instituto Oceanográfico (IO) da USP, viajam para Cananeia, cidade litorânea paulista. Durante uma semana, os pintores, usufruindo do contato direto com o litoral, desenvolvem obras relacionadas às paisagens praianas.
Na mostra, as pinturas também cedem espaço aos registros fotográficos. Obras dos fotógrafos Carlos Moreira e Arnaldo Pappalardo se afastam das cores e exibem elementos da paisagem litorânea através de seus cliques em preto e branco. A exposição também ganha forma a partir do trabalho do artista Hugo Fortes. Com maquetes feitas de um material semelhante ao sal-marinho, Fortes mistura tintas e objetos para retratar o oceano.

Arte para todos: o projeto de extensão em Cananeia

De caráter mais experimental, no segundo espaço da exposição encontram-se telas de jovens moradores da região da Cananeia. Embelezando a Sala BNDES, o objetivo de colocá-las em exibição é algo mais positivista, como menciona o professor, na busca de tentar defender um projeto antigo.
Durante os meses de de janeiro e julho, temporada de férias escolares, participantes de um programa de extensão da Universidade desenvolvem um projeto com crianças e jovens moradores da região. Nesse período, os bolsistas adaptam e replicam à comunidade as aulas de Pintura de Paisagem, dadas pelo professor Geraldo durante a graduação.
Segundo o docente, apaixonado por praia e arte, o projeto serve como atitude de resistência e oportunidade aos caiçaras. “Penso que a pintura pode dar uma nova perspectiva à população de jovens que, aos poucos, estão abandonando Cananeia.”
A exposição Praia: Paisagem em Processo acontece até o dia 14 de julho, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h30, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (Rua da Biblioteca, s/n, Cidade Universitária, São Paulo). Para mais informações, ligue (11) 2648-0310 ou acesse o site da biblioteca.
Fonte: Publicado Originalmente em Jornal da USP 14/06/2017

Nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas

15:24

O nível do mar na costa brasileira tende a aumentar nas próximas décadas. No Brasil,contudo, onde mais de 60% da população vive em cidades costeiras, não há um estudo integrado da vulnerabilidade dos municípios litorâneos a este e a outros impactos decorrentes das mudanças climáticas, como o aumento da frequência e da intensidade de chuvas. Um estudo desse gênero possibilitaria estimar os danos sociais, econômicos e ambientais e elaborar um plano de ação com o intuito de implementar medidas adaptativas.
As conclusões são do relatório especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) sobre “Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas”, lançado nesta segunda-feira (05/06) durante um evento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
A publicação tem apoio da FAPESP e parte dos estudos nos quais se baseia são resultado do Projeto Metrópole e de outros projetos apoiados pela Fundação no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas, financiado pela Fundação e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“A ideia do relatório foi mostrar o estado da arte sobre mudanças de clima e cidades costeiras, baseado em uma exaustiva revisão de publicações internacionais e nacionais sobre o tema, e também identificar lacunas no conhecimento para que os formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão no Brasil possam propor e implementar medidas de adaptação”, disse José Marengo, coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos autores e editores do relatório, à Agência FAPESP.
De acordo com dados do documento, entre 1901 e 2010 o nível médio do mar globalmente aumentou 19 centímetros – com variação entre 17 e 21 centímetros.
Entre 1993 e 2010, a taxa de elevação correspondeu a mais de 3,2 milímetros (mm) por ano – com variação entre 2,8 e 3,6 mm por ano.
No Brasil também há uma tendência de aumento do nível do mar nas regiões costeiras com algum grau de incerteza porque não há registros históricos contínuos e confiáveis, ponderam os autores.
“Ainda não conseguimos detectar o aumento do nível do mar no Brasil por conta das poucas observações existentes e de estudos de modelagem para avaliar os impactos. Mas já identificamos por meio de estudos regionais diversas cidades de médio e grande porte que apresentam alta exposição à elevação do nível relativo do mar e já têm sofrido os impactos desse fenômeno, particularmente na forma de ressacas e inundações”, disse Marengo.
Entre essas cidades, onde 60% da população reside na faixa de 60 quilômetros da costa, estão Rio Grande (RS), Laguna e Florianópolis (SC), Paranaguá (PR), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE), São Luís (MA), Fortaleza (CE) e Belém (PA).
Nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo, têm sido registradas taxas de aumento do nível médio do mar de 1,8 a 4,2 mm por ano desde a década de 1950.
Na cidade de Santos, no litoral sul paulista, onde está situado o maior porto da América Latina, o nível do mar tem aumentado 1,2 mm por ano, em média, desde a década de 1940. Além disso, ocorreu um aumento significativo na altura das ondas – que alcançava 1 metro em 1957 e passou a atingir 1,3 m, em 2002 – e na frequência de ressacas no município.
Já no Rio de Janeiro, a análise dos dados da estação maregráfica da Ilha Fiscal – que tem a série histórica mais antiga do Brasil e fica no meio da Baía da Guanabara – indica uma tendência média de aumento do nível do mar de mais ou menos 1,3 mm por ano, com base nos dados mensais do nível do mar do período de 1963 a 2011 e com um índice de confiança de 95%.
Por sua vez, em Recife o nível do mar aumentou 5,6 mm entre 1946 e 1988 – o que corresponde a uma elevação de 24 centímetros em 42 anos. A erosão costeira e a ocupação do pós-praia provocaram uma redução da linha de praia em mais de 20 metros na Praia de Boa Viagem – a área da orla mais valorizada da cidade –, apontam os autores do relatório.
“Existem poucas observações como essas em outras regiões do país. Quando tentamos levantar dados dos últimos 40 ou 100 anos sobre o aumento do nível do mar em outras cidades do Nordeste, como Fortaleza, por exemplo, é difícil encontrar”, disse Marengo.
Impactos socioeconômicos
De acordo com os autores do relatório, as mudanças climáticas e um acelerado ritmo de elevação do nível do mar podem causar sérios impactos nas áreas costeiras do Brasil.
Os impactos socioeconômicos seriam mais restritos às vizinhanças das 15 maiores cidades litorâneas, que ocupam uma extensão de 1,3 mil quilômetros da linha costeira – correspondente a 17% da linha costeira do Brasil.
Entre as principais consequências da elevação do nível do mar, entre diversas outras, estão o aumento da erosão costeira, da frequência, intensidade e magnitude das inundações, da vulnerabilidade de pessoas e bens e a redução dos espaços habitáveis.
“Os impactos mais evidentes da elevação do nível do mar são o aumento da frequência das inundações costeiras e a redução da linha de praia. Mas há outros não tão perceptíveis, como a intrusão marinha, em que a água salgada do mar começa a penetrar aquíferos e ecossistemas de água doce”, ressaltou Marengo.
As projeções do quinto relatório (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) são que a elevação do nível do mar globalmente varie entre 0,26 e 0,98 metro até 2100 – em um cenário mais pessimista. O relatório apresenta estimativas similares para a costa brasileira.
Considerando que a probabilidade de inundações aumenta com a elevação do nível do mar pode ser esperada uma maior probabilidade de inundações em áreas que apresentam mais de 40% de mudanças no nível do mar observadas nos últimos 60 anos – como é o caso de várias metrópoles costeiras brasileiras, ressaltam os autores.
As inundações costeiras serão mais preocupantes no litoral do Nordeste, Sul e Sudeste, e também podem afetar o litoral sul e sudoeste da cidade do Rio de Janeiro. Os seis municípios fluminenses mais vulneráveis à elevação do nível do mar, de acordo com estudos apresentados no relatório, são Parati, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé e Campos dos Goytacazes.
“A combinação do aumento do nível do mar com tempestades e ventos mais fortes pode provocar danos bastante altos na infraestrutura dessas cidades”, estimou Marengo.
Exemplo de plano
O documento destaca o Plano Municipal de Adaptação à Mudança de Clima (PMAMC) da cidade de Santos como exemplo de plano de ação para adaptação às mudanças de clima e os seus impactos nas cidades [Leia mais sobre o assunto em http://agencia.fapesp.br/21997/].
A elaboração do plano foi baseada nos resultados do Projeto Metrópole, coordenado por Marengo.
O estudo internacional estimou que a inundação de áreas costeiras das zonas sudeste e noroeste de Santos, causada pela combinação da elevação do nível do mar com ressacas, marés meteorológicas e astronômicas e eventos climáticos extremos, pode causar prejuízos acumulados de quase R$ 2 bilhões até 2100 se não forem implementadas medidas de adaptação.
O estudo é realizado por pesquisadores do Cemaden, dos Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Geológico (IG) e das Universidades de São Paulo (USP) e Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da University of South Florida, dos Estados Unidos, do King’s College London, da Inglaterra, além de técnicos da Prefeitura Municipal de Santos.
“Nossa intenção é aplicar essa metodologia utilizada em Santos em outras cidades litorâneas brasileiras para termos pelo menos uma estimativa inicial do custo de adaptação à elevação do nível do mar”, disse Marengo. 
Fonte: Elton Alisson | Agência FAPESP – 
 

Novo convênio entre a Praticagem e Unisanta trará maior segurança ao Porto e benefícios ao meio ambiente

16:16

 A Praticagem de São Paulo e a Universidade Santa Cecília assinaram novo convênio para utilização dos dados obtidos em tempo real pelo Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego ( C3OT). Objetivo: aumentar ainda mais a segurança para o Porto, embarcações e comunidade de Santos e auxiliar a Defesa Civil e preservação do meio-ambiente.



Nilson P. Santos - Presidente da Praticagem de São Paulo

“Estou orgulhoso de participar desta parceria. O foco é a segurança do Porto, mas os estudos serão úteis para todos”, observou o presidente da Praticagem, Nilson Pereira dos Santos.


“Este convênio é fundamental para permitir equacionar ações e reações diante de agressões ao meio ambiente”, lembrou o Secretário do Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório. Ao resultar em maior precisão nas previsões de eventos da natureza (correntes, marés, ondas fortes etc), será possível tomar medidas mais assertivas diante de ocorrências como eventuais derramamentos de óleo, por exemplo.

Participará também dos estudos a empresa Argonáutica, que desenvolveu, em conjunto com a Praticagem, o software ReDraft (calado em tempo real). A reitora Sílvia Teixeira Penteado se referiu à consolidação de alianças qualificadas, como a que se concretizou com a assinatura do convênio, como um benefício para a comunidade. “A sociedade civil organizada está representada aqui”, afirmou.

A presidente Lúcia Teixeira lembrou que esses estudos datam de várias décadas, e o convênio assinado “vem na esteira de trabalhos inclusive internacionais, como as pesquisas do EcoManage, que envolveram estudiosos da Itália, Argentina, Holanda, Chile, Portugal e Brasil”.

Todos os dados oceanográficos de meteorológicos do C3OT da Praticagem de São Paulo estão à disposição da comunidade acadêmica e servem para embasar trabalhos e pesquisas fundamentais para o desenvolvimento do porto, para o meio-ambiente e para a própria comunidade. Convênios nesse sentido foram assinados com a Universidade São Paulo (USP) e Unimonte, além da Universidade Santa Cecília.

Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB)

20:33

Em diferentes regiões do globo, uma força militar de aproximadamente 100 mil capacetes azuis, cujas missões são lideradas pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (DPKO), atua para resolver conflitos da melhor forma possível: por vias pacíficas. Deste quantitativo, até outubro de 2017, cerca de 1.200 brasileiros, dentre militares das Forças Armadas e Policiais, contribuem para promover ou manter a paz em regiões de conflito.
Militares brasileiros e estrangeiros recebem treinamento no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil

A participação do Brasil em Operações de Manutenção de Paz remonta a datas anteriores à criação da Organização das Nações Unidas (ONU). De fato, mesmo não fazendo parte da Liga das Nações desde 1926, o Brasil teve papel fundamental, na década de 30, na mediação no “Conflito de Letícia”, entre Colômbia e Peru.
Já na fase inicial da vida da ONU, o Brasil participou com diplomatas e observadores militares na Comissão Especial das Nações Unidas para os Bálcãs (UNSCOB), na porção meridional da Europa, criada para monitoramento fronteiriço em face das tentativas de intervenção da Albânia, Bulgária e Iugoslávia na guerra civil grega.
O primeiro envio de tropas a um país estrangeiro teve início em 1956, com a participação na Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF), criada para evitar conflitos entre egípcios e israelenses e pôr fim à Crise de Suez.
O Brasil assumiu tarefas de coordenação e comando militar de importantes operações, como no Haiti (MINUSTAH/2004) e no Líbano (UNIFIL/2011), o que trouxe prestígio à política externa do País, aumentando a projeção brasileira no cenário mundial. Enquanto a primeira trouxe a relevo nossa participação fundamental para a consecução da estabilidade política daquele país (Haiti), a segunda se destaca por possuir o Brasil na liderança da única força naval atuando pela ONU no mundo.

Missões com participação do Brasil 
Ao todo, o Brasil já participou de aproximadamente 50 missões das Nações Unidas, tendo enviado cerca de 50 mil militares ao exterior. Até outubro de 2017 permanece no Haiti, e, além do Líbano, o Brasil também possui integrantes nas missões de paz do Chipre, República Centro-Africana e Guiné-Bissau, Saara Ocidental, Sudão e Sudão do Sul.
Em 2010, o país passou a contar com o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – Centro Sérgio Vieira de Mello (CCOPAB), localizado na Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro, um estabelecimento voltado à preparação de militares, brasileiros e estrangeiros, que irão compor as missões de paz das Nações Unidas.
Fonte; http://www.defesa.gov.br

Estudo discute origem de algas flutuantes que invadiram a costa brasileira

17:38

Surpreendidos pela aparição inédita de um imenso tapete de algas flutuantes na costa brasileira, entre 2014 e início de 2015, pesquisadores de diversas instituições e países se uniram para investigar as causas, as origens e os possíveis impactos do fenômeno.
Os primeiros resultados do estudo, que contou com apoio da FAPESP, foram divulgados no dia 10 de março na revista Phycologia. A versão impressa do artigo, que foi destaque na capa do periódico, acaba de ser publicada.
Segundo os autores, esse tipo de alga parda pertencente ao gênero Sargassum é muito comum no Atlântico Norte, em uma região do Caribe cercada por correntes oceânicas. Lá formam o chamado mar de Sargaço, que serve de santuário para muitas espécies vegetais e animais. Resultados do trabalho, no entanto, indicam que a biomassa que chegou ao Brasil não teria vindo do Caribe, como a princípio se imaginou.

“No Brasil, existem algumas espécies de Sargaço que vivem fixas ao substrato marinho. Mas o tipo flutuante nunca havia sido observado nas praias antes de 2014. Existia um único registro na costa brasileira, mas em alto mar, feito pela Marinha em 2011 [ Veja mais informações em http://www.checklist.org.br/getpdf?NGD002-12]”, contou Marina Sissini, doutoranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e primeira autora do artigo.

Sissini estava em Fernando de Noronha em abril de 2015 realizando pesquisas pelo projeto "Prospecção Sustentável em Ilhas Oceânicas: Biodiversidade, Química, Ecologia e Biotecnologia (ProspecMar)", quando o evento teve início na região. Depois que foram divulgadas as primeiras notícias na imprensa, relatos similares começaram a surgir no arquipélago de São Pedro e São Paulo (PE), no Atol das Rocas (RN), no Maranhão e no Pará.
“Formou-se então uma rede de pesquisa com o objetivo de descobrir quais as espécies presentes nesse sargaço e como chegaram até o Atlântico Sul, na contramão das correntes marítimas”, contou Sissini.
Além da UFSC, a rede congrega cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Agência de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas (NOAA), dos Estados Unidos, e Universidade de Gana, na África.
Tamanha mobilização não se deve apenas à curiosidade científica. Os especialistas temem que o fenômeno possa causar prejuízos à biodiversidade e à economia dos locais afetados, principalmente se começar a acontecer com frequência.
Em Fernando de Noronha, por exemplo, estima-se que uma grande quantidade de peixes e de outros animais marinhos tenha morrido sob uma camada de algas de aproximadamente 1,5 metro de altura.
“Na praia do Atalaia, em Salinópolis (PA), foram medidas mais de 30 toneladas de algas em 2014 e 121 toneladas em 2015. A prefeitura optou por retirar parte dessa biomassa com auxílio de caminhões, para minimizar os prejuízos ao turismo”, contou Mariana Cabral de Oliveira, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coautora do artigo.
Embora as algas do gênero Sargassum não sejam tóxicas, explicou Oliveira, acabam espantando os banhistas quando se depositam na faixa de areia. Com o tempo, começam a se decompor liberando um odor desagradável e podem tornar o banho de mar inviável. Também podem atrapalhar a pesca com rede e o cultivo de mariscos e pescados.
Outra preocupação é a possibilidade de que alguns dos organismos que cruzam o oceano de carona com o sargaço se revelem espécies invasoras e causem desequilíbrios em ecossistemas delicados, como o de Fernando de Noronha ou do Atol das Rocas.
“Nós identificamos no sargaço que se acumulou em Noronha algas das espécies Oscillatoria sp., Sphacelaria tribuloides, Cladophora sp. , Ceramium spp. e Pneophyllum fragile. Entre os invertebrados havia o Portunus sp. , uma espécie de siri, e o Lepa sp., um cirrípide. Tinha também uma espécie de peixe popularmente conhecido como cangulo cinza, cujo nome científico é Canthidermis maculate”, contou Sissini.
Segundo Oliveira, nenhuma das espécies encontradas no material coletado é reconhecidamente invasora. Mas precisam ser monitoradas para saber se vão permanecer no local e com quais consequências para a fauna e flora.
A origem
Como explicou Sissini, um dos principais objetivos do trabalho foi investigar a origem das algas flutuantes que chegaram à região Norte.
“O primeiro passo foi identificar as espécies presentes nas amostras coletadas em Noronha e em Atalaia e ver se eram iguais entre si e se pertenciam às mesmas populações existentes no Caribe”, disse a doutoranda da UFSC.
Ao analisar as características morfológicas, o grupo concluiu que as algas coletadas nos dois locais da costa brasileira eram da espécie Sargassum natans e S. fluitans, também encontradas no Caribe. Análises moleculares foram feitas para tentar confirmar o achado, mas os resultados não foram conclusivos.
“Nós sequenciamos pequenos fragmentos de DNA tanto das algas coletadas em Noronha e em Atalaia como de espécies de sargaço que vivem fixas ao substrato marinho no Brasil. Usamos como marcador a região espaçadora transcrita interna (ITS, na sigla em inglês). Como existem muitas sequências dessa região entre genes depositadas em bancos de dados públicos, ela tem sido empregada para diferenciar espécies de sargaço”, explicou Oliveira.
De acordo com a pesquisadora, porém, o marcador não se mostrou sensível o suficiente para discriminar as diferentes espécies – menos ainda para separar diferentes populações da mesma espécie, o que poderia dar pistas sobre a origem da biomassa.
Já as imagens de satélites disponibilizadas pelo NOAA sugerem que muito provavelmente as algas não vieram do Atlântico Norte, pois nenhuma movimentação dessas massas em direção ao Sul foi registrada nas semanas que antecederam a chegada da floração no Brasil.
Para Oliveira, a hipótese mais provável é que na região do Atlântico Central, pouco abaixo da linha do Equador, exista uma matriz flutuante de Sargaço semelhante à do Caribe – que teria originado tanto as algas registradas na costa da África em 2014 como as que chegaram ao Brasil entre 2014 e 2015.
Outra possibilidade que está sendo investigada pelo grupo é que o evento observado em 2014 e 2015 esteja relacionado a um aumento anormal na temperatura do oceano, que teria favorecido o crescimento de algas já presentes em pequenas quantidades no Atlântico Sul.
“Será preciso manter um monitoramento, pois esses eventos podem voltar a ocorrer. Nosso medo é que se tornem frequentes e causem impacto ambiental e econômico significativo. São necessários mais estudos para medir os efeitos”, disse a professora da USP.
Na avaliação de Sissini, também são necessários estudos que apontem a melhor forma de manejo caso o evento volte a se repetir. “No Pará, parte das algas foi removida da praia. Já em Noronha optou-se por esperar que a própria maré se encarregasse de levar a biomassa embora. Não sabemos qual é a melhor medida e, provavelmente, a recomendação deve mudar caso a caso, conforme as características do ambiente”, disse.
Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP
O artigo The floating Sargassum (Phaeophyceae) of the South Atlantic Ocean – likely scenarios pode ser lido em: http://www.phycologia.org/doi/pdf/10.2216/16-92.1. 

Acidificação causada por dióxido de carbono (CO2) pode afetar espécies vegetais marinhas e prejudicar cadeia alimentar

17:49


Amostras de espécies vegetais marinhas (fitoplâncton)analisadas em pesquisa do Instituto Oceanográfico (IO) da USP mostram os efeitos futuros das mudanças climáticas nos oceanos.
Imagem de satélite mostra fitoplâncton florescendo na superfície do oceano, formando uma faixa de cor leitosa (abaixo, à direita) – Foto: Divulgação / Nasa

O trabalho do pesquisador Marius Müller revela que a acidificação dos oceanos, causada pelo aumento das emissões antropogênicas (feitas pela atividade humana) de dióxido de carbono (CO2), prejudica a calcificação de fitoplâncton, podendo interferir na cadeia alimentar marinha. Ao mesmo tempo, o estudo traz indícios do aumento da fotossíntese das algas, o que pode ampliar a absorção de CO2 do oceano e reduzir os efeitos do aquecimento global.
Em parceria com pesquisadores da Universidade da Tasmânia (Austrália), Müller coletou amostras de fitoplâncton calcificado na região do Oceano Austral, cujas águas banham a Antártida. “A importância dos fitoplânctons é pouco conhecida. Por exemplo, são eles os responsáveis pela produção da metade do oxigênio que a população da Terra respira”, destaca. “Os fitoplânctons também são importantes porque são a base da cadeia alimentar no ambiente marinho, assegurando a sobrevivência de diversas espécies de animais”.
 Depois da coleta das amostras, foram isoladas em laboratório algas da espécie Emiliana huxleyi, que pertence ao gênero dos cocolitóforos . “São algas microscópicas, com 5 a 10 micrômetros de diâmetro cada uma, que produzem placas de carbonato de cálcio”, conta o pesquisador. “Quando elas florescem na superfície do oceano em grande quantidade, formam uma grande faixa de cor leitosa, que pode ser vista em imagens de satélite”.
Mudanças climáticas
As algas foram cultivadas e submetidas a experimentos que simulam as condições futuras dos oceanos. “Um dos fenômenos estudados foi a acidificação do oceano, causada pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à atividade humana”, relata Müller. Em contato com a água, o CO2 reage e forma o ácido carbônico, que diminui o pH das águas oceânicas. “Também foram verificados os efeitos da diminuição de nutrientes no crescimento e no desenvolvimento do fitoplâncton”.
Amostra de fitoplâncton no banco de microrganismos do Departamento de Oceanografia Biológica do IO – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os resultados do estudo apontam que a maior acidez da água e a limitação de nutrientes afetam a formação das placas de carbonato de cálcio. “Elas se deterioram e, em alguns casos, até não chegam a se formarem, ou seja, não há calcificação”, ressalta o pesquisador. “Isso pode afetar a cadeia alimentar marinha, hipótese que precisa ser verificada por novas pesquisas”.
A pesquisa também mostrou que, quando é simulado o aumento das emissões, o efeito relativo do CO2 no desenvolvimento do fitoplâncton é o mesmo com nutrientes suficientes ou limitados. “Na verdade, é possível supor que com mais CO2 na água, as algas fazem mais fotossíntese, o que auxilia no crescimento do fitoplâncton.”, observa Müller. “Isso pode aumentar a capacidade de absorção de CO2 do oceano, incluindo o de origem antropogênica”.
A pesquisa foi orientada pelos professores Frederico Brandini, do IO, e Gustaaf Hallengraeff, da Universidade da Tasmânia. O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do programa Ciência sem Fronteiras, e do Australian Research Council (ARC). Os resultados dos experimentos são descritos em artigo publicado pela revista científica The ISME Journal, editada pela International Society for Microbial Ecology (ISME), e que integra o Nature Publishing Group, sediado no Reino Unido.


Fonte: Jornal da USP - por   - 27.04.2017