Fundo do mar teve estoque de carbono

16:41

Circulação de água no Oceano Atlântico pode explicar baixos níveis de CO2 atmosférico no Último Máximo Glacial

Condições muito específicas durante o Último Máximo Glacial, entre 23 mil e 19 mil anos atrás, permitiram ao Oceano Atlântico armazenar uma grande quantidade de carbono. Um estudo publicado na sexta (3/6) na revistaNature Communications desvendou essas particularidades, contrariando noções anteriores de como as águas marinhas circularam no passado. “É uma mudança conceitual dramática na forma como pensamos o Atlântico e seu funcionamento”, afirma o geólogo Cristiano Chiessi, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), um dos autores do estudo cujo primeiro autor é o químico ambiental neozelandês Jacob Howe, que há poucos meses defendeu o doutorado na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
A sugestão de que o oceano sequestrou e armazenou o gás carbônico (CO2) que não estava na atmosfera durante a era do gelo não é nova. O que faltava era saber como as massas de água puderam aprisionar uma quantidade tão grande de carbono. A principal hipótese vigente era que a Água de Fundo Antártica (AFA), tão densa que desce para as zonas mais profundas do oceano, estaria mais disseminada até em profundidades menores e seria o principal armazém. Isso porque águas mais frias têm maior capacidade de dissolver o gás.
Mas a análise de 24 testemunhos do fundo do oceano coletados em diferentes profundidades, espalhados por todo o Atlântico, agora revela que não foi isso que aconteceu. Os pesquisadores construíram um mapa da circulação de águas com ajuda de isótopos de neodímio, um elemento do grupo das terras-raras, que funcionam como assinaturas da origem das massas de água nos diferentes oceanos. Chiessi explica que a razão entre os isótopos (ou variedades) 143 e 144 do neodímio em amostras de água são mais negativas em áreas caracterizadas por rochas antigas, como aquelas que circundam o oceano Atlântico. Já o Pacífico, rodeado por vulcões ativos, é geologicamente jovem e tem essa razão próxima de 0. A região antártica sofre uma mistura de influências, com uma assinatura mais semelhante à do Pacífico.
A análise desses isótopos mostrou que, na verdade, no Último Máximo Glacial as águas produzidas em torno do polo Sul estavam – como hoje – restritas às zonas mais profundas, e que continuou a haver um aporte de Água Profunda do Atlântico Norte (APAN). “Essas águas frias afundam e se movem para o sul por um trajeto predominantemente horizontal, por milhares de quilômetros”, explica Chiessi. Essa viagem do norte ao sul do Atlântico leva centenas de anos, durante os quais as águas profundas recebem uma “chuva” de restos de organismos fotossintetizantes, repletos de carbono, que afundam desde a superfície. Como essas águas não fazem trocas gasosas com a atmosfera, em média 2 mil metros acima, elas guardam esse carbono enquanto permanecem no fundo.
O estudo publicado esta semana mostra que durante o Último Máximo Glacial as águas do Atlântico Norte se formaram predominantemente ao sul da Islândia, uma zona de temperaturas mais altas do que a região entre o Canadá, a Groenlândia, a Islândia e a Noruega mais recentemente responsável por produzir a APAN. O resultado é que essas águas, não tão frias, seguiam seu trajeto para sul por profundidades intermediárias, deixando o fundo do oceano para águas geladas que ficavam praticamente estagnadas por ali, sem transportar o carbono de volta à superfície. Uma dinâmica muito diferente da que se observa hoje.
O Último Máximo Glacial é especialmente interessante para quem se preocupa com as mudanças atualmente em curso no clima. “A concentração atmosférica de CO2 era 90 partes por milhão menor do que logo antes da revolução industrial, e a temperatura da superfície dos oceanos era 1,9 graus Celsius mais fria”, explica Chiessi. É uma diferença de temperatura bastante parecida com o que se espera de aumento até o final do século. Para ele, se os modelos climáticos conseguirem reproduzir o passado, aumenta a confiança nas suas projeções para o futuro.
E podem, também, indicar estratégias de emergência. “Na ausência de uma transição mais efetiva para menores emissões de gases de efeito estufa, o que é absolutamente necessário, pode haver a necessidade de lançarmos mão de medidas de geoengenharia”, imagina. Ele se refere a métodos de retirada ativa e armazenamento de carbono, dos quais o mais comum é o reflorestamento. “Não envolve necessariamente alta tecnologia, mas não deixa de ser geoengenharia.” Métodos mais drásticos, e mais arriscados, podem envolver injetar o excesso de CO2 em reservatórios, como o fundo dos oceanos.
O Projeto
Resposta da porção oeste do Oceano Atlântico às mudanças na circulação meridional do Atlântico: variabilidade milenar a sazonal (nº 2012/17517-3); ModalidadePrograma de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais – Jovens Pesquisadores;Pesquisador responsável Cristiano Mazur Chiessi (EACH-USP); Investimento R$ 2.416.362,50.
Artigo CientíficoHOWE, J. N. W. et al. North Atlantic Deep Water production during the Last Glacial MaximumNature Communications, v. 7, art. 11765. 3 jun. 2016.
Fonte: MARIA GUIMARÃES | Edição Online 18:58 3 de junho de 2016  -  http://revistapesquisa.fapesp.br/

CENTENÁRIO DA AVIAÇÃO DA MARINHA

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No dia 23 de agosto de 2016 a Aviação da Marinha do Brasil completará 100 anos de história. Nessas dez décadas a Aviação Naval esteve presente em momentos importantes da história brasileira, criando a primeira escola militar de aviação do País e, portanto, tornando-se o berço da nossa aviação militar.
 Como pioneira no Brasil, a Aviação Naval contribuiu com o desbravamento das rotas aéreas do litoral e em operações de patrulha durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1941, a Aviação da Marinha cedeu pessoal, bases aéreas navais e aviões para a criação da Força Aérea Brasileira.
 Atualmente, além de patrulhar nossos mares e águas interiores, nossos aviões e helicópteros são rotineiramente requisitados para diversas missões, tais como atividades de busca e salvamento, assistência hospitalar aos ribeirinhos da Amazônia e Pantanal Mato-grossense, além de apoio à defesa civil em situações de calamidade pública, tais como enchentes, incêndios florestais e desastres ambientais.


ICMBio monitora saúde dos corais em Noronha

16:53


A área de pesquisa e manejo do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Fernando de Noronha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realiza monitoramento da saúde dos corais e o efeito de eventos climáticos, em especial o El Niño (aquecimento dos oceanos), nesses organismos.


Um dos efeitos é o branqueamento e morte dos corais. O monitoramento é feito por mergulhos autônomos. Há duas semanas, foi divulgado novo alerta de água quente aproximando-se da ilha, o que levou a equipe do ICMBio a entrar no mar em alguns pontos estratégicos.

“No Arquipélago de Fernando de Noronha não se observa tanto o efeito do El Niño, apesar de os corais apresentarem algum grau de degradação decorrente de outros fatores”, analisa Ana Carolina Grillo, pesquisadora e voluntária do ICMBio. “O branqueamento pode acontecer de um dia para o outro. É preciso estar sempre alerta e torcer para que a temperatura da água se estabilize”, disse ela.

Impactos no ecossistema

O monitoramento em Noronha acompanha as transformações nos corais para avaliar o impacto no ecossistema e estudar possíveis medidas mitigatórias. Uma delas pode ser o fechamento de pontos de mergulho, como foi feito em maio pelo Departamento de Parques Nacionais da Tailândia. Os corais branqueados ficam muito mais sensíveis ao impacto por contato ou depósito de sedimentos levantados por um mergulhador desatento.

Dentro dos corais vivem tipos específicos de microalgas, que são responsáveis pela sua coloração. Ao realizar a fotossíntese, as algas fornecem nutrientes aos corais, que, por sua vez, proporcionam a elas proteção e abrigo. Os corais são gravemente afetados pelas ondas de calor, já que as algas são expulsas nesses eventos de estresse, o que causa o branqueamento.

Evento global de branqueamento

Em 2014, foi anunciado o terceiro evento global de branqueamento de corais, com registro de temperaturas da água significativamente maiores que a média histórica. O aquecimento global, junto com o El Niño, continuam a fazer deste o mais severo e difundido evento de branqueamento. E, ao que tudo indica, vai durar por pelo menos mais um ano, o que nunca se observou antes.

A Grande Barreira de Corais da Austrália, por exemplo, que possui uma faixa de mais de 2.000 quilômetros de corais vem sofrendo um grande processo de branqueamento que afetou 93% dos seus corais, para desespero da comunidade científica e das operadoras de turismo, que encontram no atrativo sua grande fonte de renda. Para se ter uma ideia, desses 93% dos corais branqueados na Austrália, cerca de 50% morreu. Estima-se que 38% dos recifes de corais de todo o mundo tenham branqueado este ano
Brasília (13/07/2016).

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280

XI Semana Temática de Oceanografia - Potencialidades das Ciências Marinhas

17:32

Entre os dias 22 e 26 de agosto de 2016 será realizado, no Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP), a XI Semana Temática de Oceanografia (STO). A STO é um evento organizado anualmente pelos alunos do curso de Bacharelado em Oceanografia do IOUSP, com o intuito de difundir o conhecimento interdisciplinar de Oceanografia, assim como promover discussões e transmitir informações das ciências do mar em geral. 

O tema principal desta edição da STO será "Potencialidades das Ciências Marinhas", que será discutido a partir de temas diários como "Potenciais pouco explorados", "Obras e licenciamento", "Alternativas de mercado", "Impactos e recursos" e "Perspectivas". Estas temáticas serão abordada a partir de palestras, mesas redondas e minicursos.
Toda a programação do evento, assim como demais informações sobre a XI Semana Temática de Oceanografia podem ser acessadas no website da STO e na página do evento no Facebook.
Simultaneamente à STO (23, 24 e 25/08), será também realizada mais uma edição do Simpósio de Iniciação Científica da USP (SIICUSP) - organizado pela Comissão de Pesquisa do IOUSP. Haverá apresentação de pôsteres de trabalhos desenvolvidos pelos alunos de graduação do IOUSP, entre 13 e 14h.
 XI Semana Temática de Oceanografia - Potencialidades das Ciências Marinhas
Data: 22 a 26 de agosto de 2016
Local: Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo - Praça do Oceanográfico, 191 - Cidade Universitária, São Paulo (SP)
Inscrições e informações: http://sto2016.wix.com/sto2016

Unesp inaugura Instituto de Estudos Avançados do Mar

16:46

05 de julho de 2016

Diego Freire  |  Agência FAPESP – O litoral paulista é o quinto mais extenso do Brasil, com 622 quilômetros e ocupado por mais de 2 milhões de habitantes. Com o objetivo de explorar os potenciais científicos da região para o uso sustentável dos seus recursos e em benefício da população, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou o Instituto de Estudos Avançados do Mar (IEAMar), composto por três unidades: duas em São Vicente, no litoral, e uma em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.
A iniciativa reúne 117 pesquisadores de diversas unidades da Unesp e profissionais de outras instituições e de empresas com atuação em áreas relacionadas aos recursos marinhos e a zonas litorâneas do Brasil e de outros países.
“A Unesp pretende que o IEAMar se consolide como um centro de excelência voltado aos três pilares da universidade: ensino, pesquisa e extensão, trabalhando na fronteira do conhecimento desde a pesquisa básica até o desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, fazendo transferência de tecnologia para a indústria e para a sociedade – especialmente a população do litoral paulista, que precisa se beneficiar do avanço da ciência e da inovação voltado à exploração sustentável dos recursos marinhos e à preservação ambiental”, disse Peter Christian Hackspacher, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Unesp, em Rio Claro, e coordenador do IEAMar.
As atividades de pesquisa e de cunho tecnológico que serão desenvolvidas no IEAMar serão divididas em cinco grandes áreas: Geologia Marinha, abrangendo tecnologias sobre hidrocarbonetos em áreas de pré-sal e exploração de energia e minerais; Oceanografia, com foco nos movimentos da água, do mar e da chuva; Gestão de Recursos Naturais, contemplando a compreensão da biodiversidade local, a preservação dos ecossistemas e a identificação de matrizes para produtos farmacêuticos; Meio Ambiente, em especial as mudanças climáticas e assuntos relacionados a água potável, a ambientes poluídos e ecotoxicidade; e Recursos Pesqueiros, tratando de produção de alimentos e realizando levantamentos da fauna marinha.
Multiusuários
As atividades do instituto até agora incluem o treinamento de professores e funcionários técnico-administrativos da Unesp para utilização de alguns dos 160 equipamentos multiusuários disponíveis para a comunidade científica e a iniciativa privada parceira. Entre esses equipamentos estão um sistema que integra um espectrômetro de massas e um cromatógrafo líquido de alta performance.
Técnica que caracteriza moléculas por meio da medida da relação entre a massa e a carga de seus íons, a espectrometria de massas é empregada na análise de misturas orgânicas complexas e da estrutura de compostos orgânicos, na determinação da composição isotópica dos elementos e no estudo e identificação de proteínas, entre outros propósitos.
Um sistema de espectrometria de massas pode incluir um cromatógrafo que tem a função de separar as moléculas presentes em misturas complexas. O cromatógrafo acoplado no equipamento do IEAMar permite, por exemplo, a avaliação de vestígios de produtos químicos residuais para garantir a segurança dos alimentos e a avaliação de impurezas para melhorar ainda mais a qualidade do produto.
O instituto também conta com equipamentos de microscopia confocal, que permite aumentar o contraste da imagem microscópica e construir imagens tridimensionais em alta definição. A tecnologia é importante, por exemplo, para a obtenção de imagens de amostras vivas e de informação computadorizada tridimensional na pesquisa biológica e na análise química e de materiais.
O IEAMar também será responsável pelo primeiro radar meteorológico dedicado à cobertura do litoral paulista, integrado à rede de radares da Unesp.
Além da infraestrutura para atividades de pesquisa, o IEAMar deve contar com um programa de pós-graduação em estudos avançados do mar, com o objetivo de contribuir para a formação de recursos humanos para atuação em pesquisa, inovação tecnológica e desenvolvimento de produtos, processos e serviços relacionados ao litoral paulista e a águas internacionais. O programa deverá ser voltado a pesquisadores com conhecimentos nas áreas de Química, Biologia, Geologia, Oceanografia, Farmácia, Zootecnia e engenharias, entre outras.
Também deverá ser oferecido mestrado profissional em Gestão Marítima, Fluvial e Portuária, uma vertente do mestrado profissional em Engenharia da Produção da Unesp. O objetivo é capacitar recursos humanos em temáticas relacionadas a gestão de cargas, materiais, transporte, energia, sistemas de informação, logística, comércio exterior, meio ambiente, inovação e resultados, entre outras.
O IEAMar conta com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), na ordem de R$ 25 milhões, e da própria Unesp, de R$ 10 milhões. Estima-se que todos os laboratórios estejam funcionando nos próximos dois anos.
Mais informações em www.ieamar.unesp.br.