Novo convênio entre a Praticagem e Unisanta trará maior segurança ao Porto e benefícios ao meio ambiente

12:16

 A Praticagem de São Paulo e a Universidade Santa Cecília assinaram novo convênio para utilização dos dados obtidos em tempo real pelo Centro de Coordenação, Comunicações e Operações de Tráfego ( C3OT). Objetivo: aumentar ainda mais a segurança para o Porto, embarcações e comunidade de Santos e auxiliar a Defesa Civil e preservação do meio-ambiente.



Nilson P. Santos - Presidente da Praticagem de São Paulo

“Estou orgulhoso de participar desta parceria. O foco é a segurança do Porto, mas os estudos serão úteis para todos”, observou o presidente da Praticagem, Nilson Pereira dos Santos.


“Este convênio é fundamental para permitir equacionar ações e reações diante de agressões ao meio ambiente”, lembrou o Secretário do Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório. Ao resultar em maior precisão nas previsões de eventos da natureza (correntes, marés, ondas fortes etc), será possível tomar medidas mais assertivas diante de ocorrências como eventuais derramamentos de óleo, por exemplo.

Participará também dos estudos a empresa Argonáutica, que desenvolveu, em conjunto com a Praticagem, o software ReDraft (calado em tempo real). A reitora Sílvia Teixeira Penteado se referiu à consolidação de alianças qualificadas, como a que se concretizou com a assinatura do convênio, como um benefício para a comunidade. “A sociedade civil organizada está representada aqui”, afirmou.

A presidente Lúcia Teixeira lembrou que esses estudos datam de várias décadas, e o convênio assinado “vem na esteira de trabalhos inclusive internacionais, como as pesquisas do EcoManage, que envolveram estudiosos da Itália, Argentina, Holanda, Chile, Portugal e Brasil”.

Todos os dados oceanográficos de meteorológicos do C3OT da Praticagem de São Paulo estão à disposição da comunidade acadêmica e servem para embasar trabalhos e pesquisas fundamentais para o desenvolvimento do porto, para o meio-ambiente e para a própria comunidade. Convênios nesse sentido foram assinados com a Universidade São Paulo (USP) e Unimonte, além da Universidade Santa Cecília.

Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB)

16:33

Em diferentes regiões do globo, uma força militar de aproximadamente 100 mil capacetes azuis, cujas missões são lideradas pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (DPKO), atua para resolver conflitos da melhor forma possível: por vias pacíficas. Deste quantitativo, até outubro de 2017, cerca de 1.200 brasileiros, dentre militares das Forças Armadas e Policiais, contribuem para promover ou manter a paz em regiões de conflito.
Militares brasileiros e estrangeiros recebem treinamento no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil

A participação do Brasil em Operações de Manutenção de Paz remonta a datas anteriores à criação da Organização das Nações Unidas (ONU). De fato, mesmo não fazendo parte da Liga das Nações desde 1926, o Brasil teve papel fundamental, na década de 30, na mediação no “Conflito de Letícia”, entre Colômbia e Peru.
Já na fase inicial da vida da ONU, o Brasil participou com diplomatas e observadores militares na Comissão Especial das Nações Unidas para os Bálcãs (UNSCOB), na porção meridional da Europa, criada para monitoramento fronteiriço em face das tentativas de intervenção da Albânia, Bulgária e Iugoslávia na guerra civil grega.
O primeiro envio de tropas a um país estrangeiro teve início em 1956, com a participação na Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF), criada para evitar conflitos entre egípcios e israelenses e pôr fim à Crise de Suez.
O Brasil assumiu tarefas de coordenação e comando militar de importantes operações, como no Haiti (MINUSTAH/2004) e no Líbano (UNIFIL/2011), o que trouxe prestígio à política externa do País, aumentando a projeção brasileira no cenário mundial. Enquanto a primeira trouxe a relevo nossa participação fundamental para a consecução da estabilidade política daquele país (Haiti), a segunda se destaca por possuir o Brasil na liderança da única força naval atuando pela ONU no mundo.

Missões com participação do Brasil 
Ao todo, o Brasil já participou de aproximadamente 50 missões das Nações Unidas, tendo enviado cerca de 50 mil militares ao exterior. Até outubro de 2017 permanece no Haiti, e, além do Líbano, o Brasil também possui integrantes nas missões de paz do Chipre, República Centro-Africana e Guiné-Bissau, Saara Ocidental, Sudão e Sudão do Sul.
Em 2010, o país passou a contar com o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil – Centro Sérgio Vieira de Mello (CCOPAB), localizado na Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro, um estabelecimento voltado à preparação de militares, brasileiros e estrangeiros, que irão compor as missões de paz das Nações Unidas.
Fonte; http://www.defesa.gov.br

Estudo discute origem de algas flutuantes que invadiram a costa brasileira

13:38

Surpreendidos pela aparição inédita de um imenso tapete de algas flutuantes na costa brasileira, entre 2014 e início de 2015, pesquisadores de diversas instituições e países se uniram para investigar as causas, as origens e os possíveis impactos do fenômeno.
Os primeiros resultados do estudo, que contou com apoio da FAPESP, foram divulgados no dia 10 de março na revista Phycologia. A versão impressa do artigo, que foi destaque na capa do periódico, acaba de ser publicada.
Segundo os autores, esse tipo de alga parda pertencente ao gênero Sargassum é muito comum no Atlântico Norte, em uma região do Caribe cercada por correntes oceânicas. Lá formam o chamado mar de Sargaço, que serve de santuário para muitas espécies vegetais e animais. Resultados do trabalho, no entanto, indicam que a biomassa que chegou ao Brasil não teria vindo do Caribe, como a princípio se imaginou.

“No Brasil, existem algumas espécies de Sargaço que vivem fixas ao substrato marinho. Mas o tipo flutuante nunca havia sido observado nas praias antes de 2014. Existia um único registro na costa brasileira, mas em alto mar, feito pela Marinha em 2011 [ Veja mais informações em http://www.checklist.org.br/getpdf?NGD002-12]”, contou Marina Sissini, doutoranda da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e primeira autora do artigo.

Sissini estava em Fernando de Noronha em abril de 2015 realizando pesquisas pelo projeto "Prospecção Sustentável em Ilhas Oceânicas: Biodiversidade, Química, Ecologia e Biotecnologia (ProspecMar)", quando o evento teve início na região. Depois que foram divulgadas as primeiras notícias na imprensa, relatos similares começaram a surgir no arquipélago de São Pedro e São Paulo (PE), no Atol das Rocas (RN), no Maranhão e no Pará.
“Formou-se então uma rede de pesquisa com o objetivo de descobrir quais as espécies presentes nesse sargaço e como chegaram até o Atlântico Sul, na contramão das correntes marítimas”, contou Sissini.
Além da UFSC, a rede congrega cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Agência de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas (NOAA), dos Estados Unidos, e Universidade de Gana, na África.
Tamanha mobilização não se deve apenas à curiosidade científica. Os especialistas temem que o fenômeno possa causar prejuízos à biodiversidade e à economia dos locais afetados, principalmente se começar a acontecer com frequência.
Em Fernando de Noronha, por exemplo, estima-se que uma grande quantidade de peixes e de outros animais marinhos tenha morrido sob uma camada de algas de aproximadamente 1,5 metro de altura.
“Na praia do Atalaia, em Salinópolis (PA), foram medidas mais de 30 toneladas de algas em 2014 e 121 toneladas em 2015. A prefeitura optou por retirar parte dessa biomassa com auxílio de caminhões, para minimizar os prejuízos ao turismo”, contou Mariana Cabral de Oliveira, professora do Instituto de Biociências (IB) da USP e coautora do artigo.
Embora as algas do gênero Sargassum não sejam tóxicas, explicou Oliveira, acabam espantando os banhistas quando se depositam na faixa de areia. Com o tempo, começam a se decompor liberando um odor desagradável e podem tornar o banho de mar inviável. Também podem atrapalhar a pesca com rede e o cultivo de mariscos e pescados.
Outra preocupação é a possibilidade de que alguns dos organismos que cruzam o oceano de carona com o sargaço se revelem espécies invasoras e causem desequilíbrios em ecossistemas delicados, como o de Fernando de Noronha ou do Atol das Rocas.
“Nós identificamos no sargaço que se acumulou em Noronha algas das espécies Oscillatoria sp., Sphacelaria tribuloides, Cladophora sp. , Ceramium spp. e Pneophyllum fragile. Entre os invertebrados havia o Portunus sp. , uma espécie de siri, e o Lepa sp., um cirrípide. Tinha também uma espécie de peixe popularmente conhecido como cangulo cinza, cujo nome científico é Canthidermis maculate”, contou Sissini.
Segundo Oliveira, nenhuma das espécies encontradas no material coletado é reconhecidamente invasora. Mas precisam ser monitoradas para saber se vão permanecer no local e com quais consequências para a fauna e flora.
A origem
Como explicou Sissini, um dos principais objetivos do trabalho foi investigar a origem das algas flutuantes que chegaram à região Norte.
“O primeiro passo foi identificar as espécies presentes nas amostras coletadas em Noronha e em Atalaia e ver se eram iguais entre si e se pertenciam às mesmas populações existentes no Caribe”, disse a doutoranda da UFSC.
Ao analisar as características morfológicas, o grupo concluiu que as algas coletadas nos dois locais da costa brasileira eram da espécie Sargassum natans e S. fluitans, também encontradas no Caribe. Análises moleculares foram feitas para tentar confirmar o achado, mas os resultados não foram conclusivos.
“Nós sequenciamos pequenos fragmentos de DNA tanto das algas coletadas em Noronha e em Atalaia como de espécies de sargaço que vivem fixas ao substrato marinho no Brasil. Usamos como marcador a região espaçadora transcrita interna (ITS, na sigla em inglês). Como existem muitas sequências dessa região entre genes depositadas em bancos de dados públicos, ela tem sido empregada para diferenciar espécies de sargaço”, explicou Oliveira.
De acordo com a pesquisadora, porém, o marcador não se mostrou sensível o suficiente para discriminar as diferentes espécies – menos ainda para separar diferentes populações da mesma espécie, o que poderia dar pistas sobre a origem da biomassa.
Já as imagens de satélites disponibilizadas pelo NOAA sugerem que muito provavelmente as algas não vieram do Atlântico Norte, pois nenhuma movimentação dessas massas em direção ao Sul foi registrada nas semanas que antecederam a chegada da floração no Brasil.
Para Oliveira, a hipótese mais provável é que na região do Atlântico Central, pouco abaixo da linha do Equador, exista uma matriz flutuante de Sargaço semelhante à do Caribe – que teria originado tanto as algas registradas na costa da África em 2014 como as que chegaram ao Brasil entre 2014 e 2015.
Outra possibilidade que está sendo investigada pelo grupo é que o evento observado em 2014 e 2015 esteja relacionado a um aumento anormal na temperatura do oceano, que teria favorecido o crescimento de algas já presentes em pequenas quantidades no Atlântico Sul.
“Será preciso manter um monitoramento, pois esses eventos podem voltar a ocorrer. Nosso medo é que se tornem frequentes e causem impacto ambiental e econômico significativo. São necessários mais estudos para medir os efeitos”, disse a professora da USP.
Na avaliação de Sissini, também são necessários estudos que apontem a melhor forma de manejo caso o evento volte a se repetir. “No Pará, parte das algas foi removida da praia. Já em Noronha optou-se por esperar que a própria maré se encarregasse de levar a biomassa embora. Não sabemos qual é a melhor medida e, provavelmente, a recomendação deve mudar caso a caso, conforme as características do ambiente”, disse.
Fonte: Karina Toledo | Agência FAPESP
O artigo The floating Sargassum (Phaeophyceae) of the South Atlantic Ocean – likely scenarios pode ser lido em: http://www.phycologia.org/doi/pdf/10.2216/16-92.1. 

Acidificação causada por dióxido de carbono (CO2) pode afetar espécies vegetais marinhas e prejudicar cadeia alimentar

13:49


Amostras de espécies vegetais marinhas (fitoplâncton)analisadas em pesquisa do Instituto Oceanográfico (IO) da USP mostram os efeitos futuros das mudanças climáticas nos oceanos.
Imagem de satélite mostra fitoplâncton florescendo na superfície do oceano, formando uma faixa de cor leitosa (abaixo, à direita) – Foto: Divulgação / Nasa

O trabalho do pesquisador Marius Müller revela que a acidificação dos oceanos, causada pelo aumento das emissões antropogênicas (feitas pela atividade humana) de dióxido de carbono (CO2), prejudica a calcificação de fitoplâncton, podendo interferir na cadeia alimentar marinha. Ao mesmo tempo, o estudo traz indícios do aumento da fotossíntese das algas, o que pode ampliar a absorção de CO2 do oceano e reduzir os efeitos do aquecimento global.
Em parceria com pesquisadores da Universidade da Tasmânia (Austrália), Müller coletou amostras de fitoplâncton calcificado na região do Oceano Austral, cujas águas banham a Antártida. “A importância dos fitoplânctons é pouco conhecida. Por exemplo, são eles os responsáveis pela produção da metade do oxigênio que a população da Terra respira”, destaca. “Os fitoplânctons também são importantes porque são a base da cadeia alimentar no ambiente marinho, assegurando a sobrevivência de diversas espécies de animais”.
 Depois da coleta das amostras, foram isoladas em laboratório algas da espécie Emiliana huxleyi, que pertence ao gênero dos cocolitóforos . “São algas microscópicas, com 5 a 10 micrômetros de diâmetro cada uma, que produzem placas de carbonato de cálcio”, conta o pesquisador. “Quando elas florescem na superfície do oceano em grande quantidade, formam uma grande faixa de cor leitosa, que pode ser vista em imagens de satélite”.
Mudanças climáticas
As algas foram cultivadas e submetidas a experimentos que simulam as condições futuras dos oceanos. “Um dos fenômenos estudados foi a acidificação do oceano, causada pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à atividade humana”, relata Müller. Em contato com a água, o CO2 reage e forma o ácido carbônico, que diminui o pH das águas oceânicas. “Também foram verificados os efeitos da diminuição de nutrientes no crescimento e no desenvolvimento do fitoplâncton”.
Amostra de fitoplâncton no banco de microrganismos do Departamento de Oceanografia Biológica do IO – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os resultados do estudo apontam que a maior acidez da água e a limitação de nutrientes afetam a formação das placas de carbonato de cálcio. “Elas se deterioram e, em alguns casos, até não chegam a se formarem, ou seja, não há calcificação”, ressalta o pesquisador. “Isso pode afetar a cadeia alimentar marinha, hipótese que precisa ser verificada por novas pesquisas”.
A pesquisa também mostrou que, quando é simulado o aumento das emissões, o efeito relativo do CO2 no desenvolvimento do fitoplâncton é o mesmo com nutrientes suficientes ou limitados. “Na verdade, é possível supor que com mais CO2 na água, as algas fazem mais fotossíntese, o que auxilia no crescimento do fitoplâncton.”, observa Müller. “Isso pode aumentar a capacidade de absorção de CO2 do oceano, incluindo o de origem antropogênica”.
A pesquisa foi orientada pelos professores Frederico Brandini, do IO, e Gustaaf Hallengraeff, da Universidade da Tasmânia. O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do programa Ciência sem Fronteiras, e do Australian Research Council (ARC). Os resultados dos experimentos são descritos em artigo publicado pela revista científica The ISME Journal, editada pela International Society for Microbial Ecology (ISME), e que integra o Nature Publishing Group, sediado no Reino Unido.


Fonte: Jornal da USP - por   - 27.04.2017