PROSUB - Programa de Desenvolvimento de Submarinos

07:50

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) é um Programa a cargo da Marinha do Brasil que tem como objetivo a produção de quatro submarinos convencionais e a fabricação do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear. Lançado em 2008, o PROSUB contempla, além dos submarinos, a construção de um complexo de infraestrutura industrial e de apoio à operação dos submarinos, que engloba os Estaleiros, a Base Naval e a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM) no município de Itaguaí - RJ.

Como resultados iniciais, foi inaugurado, em fevereiro de 2018, o Estaleiro de Construção e em dezembro de 2018 foi lançado ao mar o Submarino Riachuelo, o primeiro submarino construído no âmbito do Programa. Em outubro de 2019 foi realizada a união das sessões do submarino Humaitá, o segundo submarino convencional do Programa, que será lançado ao mar em 2020. País com dimensões continentais de 8,5 mil quilômetros de costa, o Brasil tem o mar como uma forte referência em todo o seu desenvolvimento. A imensa riqueza das águas, do leito e do subsolo marinho nesse território justifica seu nome: Amazônia Azul. É nessa área marítima que os brasileiros desenvolvem atividades pesqueiras, 95% do nosso comércio exterior e a exploração de recursos biológicos e minerais. Para proteger esse patrimônio e garantir a soberania brasileira no mar, a Marinha do Brasil investe na expansão da força naval, sendo o PROSUB parte essencial desse investimento.

O PROSUB dotará a indústria brasileira da defesa com tecnologia nuclear de ponta. A concretização do programa fortalece, ainda, setores da indústria nacional de importância estratégica para o desenvolvimento econômico do país. Priorizando a aquisição de componentes fabricados no Brasil, o PROSUB é um forte incentivo ao nosso parque industrial.

No dia 12 de agosto de 2020, mais um marco importante foi cumprido no âmbito do PROSUB, quando o Submarino “Riachuelo” (S 40) realizou com êxito os testes previstos para o sistema de propulsão na superfície, em prosseguimento ao extenso programa de provas de aceitação no mar. Além dessas verificações, também foram testados satisfatoriamente o sistema de governo (lemes horizontais e vertical) e sistemas de navegação, cujos resultados habilitarão o prosseguimento das referidas provas com elevado grau de segurança da plataforma.

Durante a fase em questão, os exercícios preconizados foram integralmente cumpridos, tendo o “Riachuelo” percorrido 8 milhas náuticas na superfície, em área marítima situada no interior da Baía de Sepetiba, no litoral sul do Rio de Janeiro.

O cronograma atual do PROSUB planeja a conclusão dos testes de mar referentes à plataforma do “Riachuelo” até dezembro de 2020, o lançamento ao mar do “Humaitá” em dezembro de 2020, do “Tonelero” no terceiro trimestre de 2021 e do “Angostura” no terceiro trimestre de 2022. O “Álvaro Alberto”, primeiro submarino convencional com propulsão nuclear brasileiro (SN-BR), tem seu lançamento ao mar previsto para 2029. O SN-BR, assim como a incorporação dos quatro submarinos classe “Riachuelo”, elevarão substancialmente a capacidade de resposta eficiente do Poder Naval frente ao enorme desafio de controle e proteção da “Amazônia Azul”, que encerra grandes reservas naturais e representa um terço da extensa fronteira do País.



Fonte: Marinha do Brasil


Praticagem de São Paulo também colabora com empresas de cruzeiros

06:26

 

Além de oferecer descontos para incentivar a cabotagem, a Praticagem de São Paulo decidiu manter condições diferenciadas para as empresas de cruzeiros e não realizar a correção contratual pela inflação:

– Tínhamos feito um contrato há três anos com descontos escalonados, para fomentar a atividade. Vamos manter esses descontos e não aplicar a atualização monetária. É uma forma de colaborarmos para a manutenção da indústria – diz o presidente da praticagem no estado, Carlos Alberto de Souza Filho.

Nos últimos meses, vários navios com passageiros ou tripulantes com suspeita ou confirmação de coronavírus foram obrigados a respeitar quarentena no fundeadouro no Porto de Santos. Muitas vezes, essas embarcações precisaram fazer manobras para levar pessoas para tratamento ou trazer suprimentos para quem ficou a bordo. Para os navios que ficaram fundeados mais tempo em Santos, foi pedida uma cobrança diferenciada à praticagem, que atendeu prontamente, segundo Souza Filho: 

– Reduzimos em 50% o preço para entradas e saídas não ligadas à atividade comercial, como nos casos de desembarcar tripulantes doentes e levar suprimentos.

Apesar de todos os cuidados tomados, já houve sete práticos contaminados com a Covid-19 entre os 62 que trabalham na empresa. Um deles foi internado com sintomas mais graves da doença, mas já passa bem em casa.

– Não podemos garantir que tenham sido contaminados a bordo. A despeito disso, conseguimos manter o serviço operando normalmente, cumprindo todos os protocolos para evitar a contaminação – ressalta Souza Filho.

Ele conta que, durante a pandemia, o trabalho da praticagem, essencial por lei federal, ganhou reconhecimento: 

– As pessoas percebem a importância da profissão para a economia do país como um todo. Somos um dente da engrenagem, mas se ele quebrar a máquina não funciona. Mostrar as dificuldades, os riscos do nosso trabalho e continuamos atuando para a manutenção do fluxo de mercadorias. No Porto de Santos, a demanda permanece grande, por conta da supersafra de grãos, de produtos como suco de laranja e outros do agronegócio. O consumo mundial está aumentando nessa pandemia, o que acabou gerando crescimento das exportações. Os práticos são fundamentais para que esse fluxo seja mantido.

Souza Filho também faz questão de elogiar o trabalho de todos os trabalhadores, entidades e empresários do porto, que se esforçaram para manter as operações:

– Os serviços nos portos dependem de uma grande cadeia e de um esforço coletivo que foi marcante nos últimos meses, principalmente por meio de uma ação coordenada do Ministério da Infraestrutura, da Santos Port Authority e do setor de transportes.

Com contato direto com tripulantes de diversas regiões do país e do mundo, o prático fica especialmente vulnerável à Covid-19. Por isso, a praticagem tomou todas as medidas ao seu alcance, como escalonamento de trabalho, distanciamento social, desinfecção da sede e das lanchas, além da instalação de um túnel de sanitização na entrada da ponte dos práticos. Foi adotado o protocolo para os práticos criado pelo Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), a partir de orientação do setor de infectologia do Hospital Naval Marcílio Dias.

Fonte: Praticagem de São Paulo

Sinal verde para grandes graneleiros no Rio Amazonas

06:19

 


Simulações no Tanque de Provas Numérico da USP com a praticagem e as autoridades Marítima e Portuária indicam a possibilidade de entrada de navios New Panamax no porto de Santana e em dois terminais privados que serão construídos no município, no Amapá.

Hoje, atracam no porto embarcações da classe Handysize, de até 203 metros de comprimento e 32 metros de boca (largura), com cinco porões. Um New Panamax tem 240 metros de comprimento e 40 metros de boca, com sete porões. Essa é a geração do Panamax que atravessa o canal mais novo do Panamá, que encurta a viagem para a China e favorece a exportação do agronegócio do Centro-Oeste brasileiro.

Operamos durante décadas com 55 mil toneladas de carga em um navio. Agora, estamos falando em chegar a 80 mil toneladas, quase 50% a mais. Isso é eficiência, sem que se perca em segurança da navegação e proteção do meio ambiente na Amazônia – ressaltou o presidente do Conselho Nacional de Praticagem, Ricardo Falcão, prático na região.

As simulações foram realizadas no laboratório da Escola Politécnica da USP, referência no país. Sete práticos executaram as manobras, contribuindo com a antecipação de problemas e a definição de limites operacionais. Desde 2012, cerca de 200 práticos já participaram de mais de 170 simulações anteriores à implantação de novos portos e operações no Brasil, seguindo norma da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Marítimo (PIANC), referendada pela Organização Marítima Internacional (IMO).

– A participação da praticagem local é fundamental na definição das premissas da simulação e dos riscos e perigos que devem ser analisados. Como resultado, obtemos parâmetros operacionais mais seguros e realistas do que em simulações feitas apenas com comandantes que não conhecem a região – explicou o coordenador do centro de simulações do TPN-USP, professor Eduardo Tannuri.

O capitão dos Portos do Amapá, comandante Carlos Augusto, destacou a importância da integração dos atores que dão suporte à decisão da Autoridade Marítima nas simulações:

– Dessa forma, definimos os navios tipo mais seguros para os terminais que serão construídos e para o porto, sem as manobras experimentais de antigamente. Antes, os parâmetros eram mais conservadores. Com o simulador, temos uma visão mais parecida do que vai acontecer no futuro.

O Arco Norte é considerado promissor para o escoamento da produção do agronegócio do Centro-Oeste, tendo em vista a proximidade com o Canal do Panamá e investimentos recentes da Praticagem do Amapá, da Marinha do Brasil e do Governo Federal.

Essa produção chega pelo Rio Madeira até Itacoatiara (AM) ou pela BR-163 até Miritituba (PA), de onde segue em barcaças pelo Rio Tapajós para Santarém (PA), Santana (AP) ou Barcarena (PA). A rodovia BR-163 foi concluída recentemente pelo governo. 

A Praticagem do Amapá atua desde Itacoatiara até a saída do Rio Amazonas pela barra norte. Em março, a Marinha atualizou a carta náutica da região, que apresentava alguns trechos ainda da década de 80. A renovação da cartografia revelou um canal mais profundo no trecho lamoso da barra norte, o mais desafiador para a passagem de navios mais carregados.

Além de sondar regularmente as profundidades dos rios da Amazônia, a praticagem instalou marégrafos na barra norte, possibilitando travessias de alta precisão em mais janelas de maré. Os resultados dos investimentos em batimetria e na tábua de marés são verificados nos ganhos do calado máximo autorizado (parte submersa das embarcações), que passou de 11,50 metros para 11,70 metros, em 2018, e para 11,90 metros em 2020 (em testes). A cada vinte centímetros um navio carrega mais duas mil toneladas (carga aproximada de cem caminhões).

Outro investimento da praticagem foi a sondagem do entorno da Ilha de Santana, em frente ao porto, que oferece uma segunda rota para a chegada dos grandes graneleiros pelo Rio Amazonas. 

– Essa parceria é necessária para a consolidação do Amazonas como hidrovia de exportação do agronegócio brasileiro. A praticagem presta um grande serviço para a Amazônia. Com isso, temos segurança para as autoridades Portuária, Marítima e para o usuário do porto – afirmou o presidente da Companhia Docas de Santana, Glauco Cei. 

Para permitir que as simulações tivessem o máximo de realismo, os terminais privados contrataram uma modelagem matemática das correntes do canal de Santana (estudo de escoamento d’água durante todas as marés), além de um extenso trabalho de medição das correntes no local. Foram 529 passagens de uma embarcação com equipamento ADCP (Acoustic Doppler Current Profiler) de última geração.

Também estiveram presentes nas simulações o chefe do Departamento de Avaliação de Parâmetros Operacionais da Diretoria de Portos e Costas da Marinha, comandante Daros; o próximo capitão dos Portos do Amapá, comandante Kaysel; o prefeito de Santana, Ofirney Sadala; a deputada federal Leda Sadala (AP); o senador suplente Paulo Albuquerque (AP); e representantes da deputada federal Marcivania (AP) e do Ministério Público.

7 de agosto de 2020/por Conapra


MARINHA INICIA A IMPLANTAÇÃO DO e-NAVIGATION

14:17

A Organização Marítima Internacional (IMO) define o e-Navigation (navegação aprimorada) como sendo a coleta, integração, intercâmbio, apresentação e análise harmonizada de informações náuticas, a bordo e em terra, por meios eletrônicos, com o propósito de aprimorar o controle e a segurança da navegação aquaviária de berço a berço e serviços portuários relacionados, bem como para o aumento da eficiência comercial marítima e a preservação do meio ambiente marinho. 



A implementação do e-Navigation impacta, a nível mundial, diversos setores que exercem suas atividades no ambiente marítimo, em águas interiores e dos respectivos portos. Da mesma forma que aeronaves e aeroportos se comunicam com rapidez e segurança, a implantação do eNavigation permitirá a ampliação dessas capacidades para navios e os portos. 

O e-Navigation não é um tipo de equipamento, mas sim um "conceito", que contempla uma ampla gama de sistemas e serviços de informação integrados e harmonizados, relacionados à segurança da navegação e aos serviços portuários. Atende as necessidades de usuários conhecidos e identificados, unificando equipamentos como o Automatic Identification System (AIS), Electronic Chart Display System (ECDIS), Automatic RADAR Plotting Aid (ARPA), Sistemas Integrados de Passadiço (IBS), Sistemas Integrados de Navegação (INS), Long Range Identification and Tracking (LRIT), bem como auxiliam na busca e no salvamento (SAR) e em situações de emergência de poluição marinha, permitindo o aprimoramento da Consciência Situacional Marítima e na tomada de decisão de comandantes no mar e autoridades portuárias em terra. 

Após o cumprimento de uma sistemática própria da IMO, foram priorizadas cinco soluções para o e-Navigation, com base nas necessidades identificadas dos usuários: S1: projeto de passadiço aperfeiçoado, harmonizado e funcional; S2: padronização e automatização de relatórios; S3: aprimoramento da confiabilidade, resiliência e integridade dos equipamentos do passadiço e informações de navegação; S4: integração e apresentação, em display, das informações recebidas via equipamentos de comunicações; e S5: aperfeiçoamento das comunicações no portfólio dos serviços de VTS – Vessel Traffic Service (não limitado às estações VTS). As soluções S2, S4 e S5 têm como foco a transferência automática de informações e dados entre todos os usuários, enquanto as soluções S1 e S3 promovem o uso funcional e prático de informações e dados a bordo. 

As necessidades de harmonização e de padronização dos serviços portuários resultaram na elaboração do Portfólio de Serviços Marítimos (Maritime Service Portfolio - MSP), que categorizaram esses serviços por áreas geográficas, de modo a facilitar a determinação do tipo e da quantidade de informação a ser transmitida, considerando o sistema de comunicação empregado e a identificação das entidades ou organizações responsáveis pela disseminação da informação. Atualmente, 16 Serviços Marítimos (MS- Maritime Service) foram mapeados nesse Portfólio da IMO, mas esse número poderá ser alterado durante os estudos para a sua implantação. À proporção que o transporte marítimo incorpora o mundo digital, informações e infraestrutura digitais serão implantados em benefício da segurança marítima e proteção do meio ambiente, mitigando, por exemplo, possíveis acidentes como o derramamento do óleo ocorrido no litoral brasileiro em 2019.  


A implantação do conceito em nível nacional deverá basear-se em um ambiente que proporcione a participação de outros parceiros, governamentais ou não, e a criação de uma Estrutura Comum de Dados Marítimos (CDMS) que deverá seguir as orientações de organismos internacionais, em concordância com a legislação nacional. A comunidade marítima brasileira e os organismos de normatização e fiscalização da atividade marítima deverão estar preparados para participar dessa evolução. No âmbito da Autoridade Marítima (AM), a Diretoria-Geral de Navegação (DGN) é a responsável pela implementação desse conceito, o qual está centrado nas necessidades dos usuários da navegação marítima, visando à eficiente transferência de informações e dados marítimos entre todos os usuários (navio-navio, navio-porto, porto-navio e porto-porto), por meio de um Portal. Será necessário que as ferramentas utilizadas atualmente sejam aprimoradas, facilitando o acesso pelos usuários e, principalmente, garantindo a segurança digital e a integração das diversas agências, que necessitará de eficaz infraestrutura de tecnologia da informação e comunicação. A Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), organização militar subordinada à DGN, será demandada em aperfeiçoamentos para os seus produtos e serviços, de forma a atender as demandas quanto ao aprimoramento da posição, por meio da transmissão das correções diferenciais (DGNSS), e a produção e disseminação de informação meteorológica, cartas e publicações náuticas eletrônicas. A evolução do processo de navegação tradicional para o e-Navigation promoverá ganho em segurança, produtividade e eficiência, onde o elemento humano continuará sendo essencial nesse processo e a sua formação e treinamento serão fundamentais para a implementação desse novo conceito. A Diretoria de Portos e Costas (DPC), outra organização militar subordinada à DGN, deverá capacitar nossos profissionais, de bordo e de terra, para utilizar as ferramentas que contribuirão para o aperfeiçoamento da Segurança da Navegação. 

Órgãos como a ANVISA, a Receita Federal, a Polícia Federal, as Autoridades Portuárias, dentre outros, provedores de serviços e produtos dentro dos 16 Serviços Marítimos (MS) atualmente previstos, deverão também adotar estratégias para essa nova realidade. A Marinha está elaborando a sua estratégia de implantação do e-Navigation e irá apresentar em breve a esses órgãos a sua proposta para discussão.  
As atividades de cooperação regionais e técnicas vêm sendo realizadas em várias partes do mundo com objetivo de promover e fornecer informações sobre a forma de implementação e desenvolvimento do e-Navigation. Nesse sentido, vislumbra-se a importância do Brasil na coordenação da implantação desse conceito no âmbito da América do Sul, sendo de grande relevância para a segurança da navegação nas águas do Atlântico Sul. Na área econômica, abrem-se perspectivas para a comercialização de produtos desenvolvidos especificamente para atender ao conceito do e-Navigation, sendo uma ótima oportunidade para a Base Industrial brasileira. Cumprindo orientações da IMO, a iniciativa da implementação do conceito e-Navigation pela Autoridade Marítima e, posteriormente, a sua adoção em âmbito nacional, gera expectativas de grandes melhorias para a Segurança da Navegação e para a proteção da nossa Amazônia Azul. Essas expectativas refletirão na proteção do meio ambiente e no incremento da economia do mar, com aumento significativo da eficiência comercial marítima, reduzindo-se os riscos de colisão, encalhe dos navios, custos com seguros, bem como de emissões de gases poluentes por conta da indicação de uso de melhores rotas e velocidades, além do ostensivo monitoramento do tráfego mercante, contribuindo para o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) empregado pela MB.

 Sugere-se a visualização do vídeo no link indicado abaixo para o entendimento do que seriam os 16 MS previstos, inicialmente, no conceito de implantação do e-navigation: 


https://www.youtube.com/watch?v=WenDzWY-tXc


Fonte: CCSM - Marinha do Brasil

Mesmo com os riscos da pandemia, Praticagem garante as operações do porto

11:00




Mais de 10% dos práticos de Santos foram infectados pelo coronavírus até agora. Dos sete casos confirmados entre os 62 práticos que trabalham na empresa, seis estão bem e um prático foi internado em hospital de São Paulo porque apresentou sintomas mais graves da doença, com uma pneumonia bacteriana, mas já está bem e em casa. “Não podemos garantir que tenha sido a bordo, mas de qualquer maneira foram 7 pessoas ausentes da escala de serviço durante 21 dias. A despeito disso, nós conseguimos manter o serviço em atividade e continuamos cumprindo todos os protocolos para evitar a contaminação”, diz Carlos Alberto de Souza Filho, Presidente da Praticagem de São Paulo.

Ainda há muitas dúvidas envolvendo a Covid-19, o que requer toda atenção para evitar que os práticos sejam vetores, como explica Souza Filho: “Essa doença parece ser customizada, parece que a gravidade está relacionada à forma como o organismo de cada um reage. Isso causa muita incerteza, não há garantia para ninguém. Ninguém tem garantia para dizer onde se infectou”.

Durante esses meses de pandemia, o trabalho da Praticagem foi considerado essencial e ganhou reconhecimento: “As pessoas percebem a importância da profissão para a economia do país como um todo. Somos um dente da engrenagem, mas se ele quebrar a máquina não funciona.

Conseguimos mostrar as dificuldades e os riscos do nosso trabalho e continuamos atuando para a manutenção do fluxo de mercadorias. No Porto de Santos a demanda continua grande, por conta da supersafra de grãos e suco de laranja e outros produtos do agronegócio. Por outro lado, o consumo mundial está aumentando com essa pandemia e isso acabou gerando um aumento das exportações do País. E os práticos são fundamentais para que esse fluxo seja mantido e não seja interrompido ou reduzido, o que poderia gerar efeito cumulativo e, consequentemente, prejuízo. Essa continuidade no mesmo ritmo é fundamental.”

Souza Filho também fez questão de elogiar o trabalho de todos os trabalhadores, entidades e empresários do porto que se esforçaram para manter as operações: “Os serviços nos portos dependem de uma grande cadeia e de um esforço coletivo que foi marcante durante esses primeiros meses, principalmente por meio de uma ação coordenada do Ministério da Infraestrutura, Santos Port Authority e o setor de transportes”.



Protocolos
Como o embarque em navios e o contato direto com tripulantes de diversas regiões do país e do mundo que enfrentam realidades epidêmicas diferentes faz parte do trabalho do prático, ele especialmente vulnerável à Covid-19.

A praticagem é de fundamental relevância e, devido às características de transmissibilidade da doença, medidas de precaução durante os turnos de serviço, bem como durante a abordagem das embarcações em trânsito, foram tomadas para reduzir os riscos a que podem estar submetidos estes profissionais. 

“Todos os procedimentos foram cumpridos. O que está ao nosso alcance nós fizemos, inclusive com protocolos próprios”, garante Souza Filho. A Praticagem organizou escalonamento de trabalho, distanciamento social, desinfecção de toda sede, inclusive as lanchas, e instalamos o túnel de sanitização na entrada da Ponte dos Práticos. Adotou o protocolo para os práticos criado pelo Conselho Nacional de Praticagem com a supervisão do Chefe do Setor de Infectologia do Hospital Naval Marcílio Dias, Capitão de Mar e Guerra Dr. André Germano De Lorenzi. 

“Esse documento, com tradução oficial em Português e Inglês, foi encaminhado para as empresas de navegação também. Não medimos esforços para nos prevenirmos e prevenir todos os que nos cercam para não sermos vetores”, explica o Presidente da Praticagem.

Redução de preços na pandemia
Nos últimos meses, vários navios de cruzeiros com passageiros ou tripulantes com suspeita ou casos confirmados de coronavírus foram obrigados a respeitar a quarentena no fundeadouro no Porto de Santos. Muitas vezes, os navios precisaram fazer várias manobras para levar pessoas para tratamento ou trazer suprimentos para quem ficou a bordo.

Tão logo a temporada foi interrompida, para esses navios que ficaram fundeados durante mais tempo em Santos, como MSC e Costa, por exemplo, foi pedida uma situação diferenciada para a Praticagem, que atendeu prontamente: “Nós reduzimos em 50% o preço para entradas e saídas não ligadas à atividade comercial, como no caso de desembarcar tripulantes doentes, levar víveres, suprimentos e outros casos”, diz Souza Filho.

E agora, com a retomada da economia, a Praticagem já foi consultada pelos armadores de empresas de cruzeiros pedindo condições especiais de preço, o que já foi definido: “Tivemos reunião de diretoria e vamos responder ainda nessa semana. Vamos abrir mão da atualização monetária do contrato que já estava prevista, mas na verdade será até um pouco mais. Tínhamos feito um contrato há três anos com descontos escalonados para fomentar a atividade. Vamos manter esses descontos e não aplicar a atualização monetária. É uma forma de colaborarmos para a manutenção da atividade”, completa.